segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Para alguém perdido no tempo

Em meus olhos, ficou a lembrança.
Talvez não tão pura,
Mas singular, mansa.
Não de tudo que eu vi
Mas que gostaria de ter visto
Não de tudo que senti
Que em desalento, é tísico.
Ficou o som da tua guitarra
E o silêncio da tua voz,
Que segredava o que não podia ser dito entre nós.
O melhor:
Ficou teu sorriso
E nele, te eternizo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Nova poética

Minha poesia virou de esquina,
Transformou-se em produto de mercado.
Vendo à 2 reais pra Maria
Letras em um enlatado.

Minha poesia está no salão.
Quer uma nova poética de corte;
Pede a dona Vilma
Um pós-moderno retoque.

Minha poesia está no cemitério
Entre epitáfios e lápides,
Políticos mortos, cheirando a inquéritos.

Minha poesia tem ritmo dissonante...
-Não que me importe,
Mas há quem cante.

De madrugada

Odeio dormir cedo, e acho que os demais que dormem cedo, perdem, às vezes, como eu(Quando pego no sono distraído) o período superior cronológico mais belo e sereno, a madrugada; onde, simplesmente tudo flui.Como um suspiro que de repente surge em meio a dois amantes.
São 4:32, vou à janela, abrindo-a cautelosamente a modo de preservar o silêncio, que agora invade aos poucos e instala-se, não receoso, em meu quarto. Observo o céu infido e estrelado, cintilante;o vento propõe-se a roçar meus cabelos(e pensamentos) quando... dirijo meu olhar à esse singular satélite, que me corresponde com pálidas piscadelas, e eu como flertador de proa , respondo euforicamente às suas e lanço as minhas.Depois de alguns minutos de contemplação, ela vai se despedindo, tímida, e marca um novo encontro, se alguma nuvem não atrapalhar, diz ela, enfurecida.
Algumas nuvens são como obstáculos, e o pior, mesmo, é quando elas se precipitam, e trazem outros.
-Céu nublado

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Um episódio

Em uma data não tão distante, que não saberia dizer com clareza e precisão(Arrisco uma sexta-feira).Isso, era uma sexta-feira.(Obrigado, memória).Aparece o primeiro problema: Não ter como ir, mas é rapidamente solucionado pela minha mãe, que oferece uma carona pra mim e Luca(não, não é um apelido).Ligo pra uma pessoa e aviso sobre meu destino.Ok, seguiremos.
A carona tinha um destino, ao contrário das muitas que pegávamos sempre.O destino era o reviver com quem encontraríamos com Thabata(Vulgo: Tica) e Vinícius(Vulgo Vinnie) e como de habitual encontramos outros conhecidos cujo nomes e faces não recordo.Pode parecer história de pescador , mas encontramos a Mariana ex-BBB com seu namoradão distribuindo autógrafos e exalando simpatia no nosso tão humilde reviver.Compramos um vinho barato, sim, por que não?
E levamos ali pra aquela praça em frente ao bar do porto, sentamos em frente ao pôr-do-sol. A praça estava vazia a não ser pelos comerciantes ambulantes que passavam ali a toda hora e uma certa excursão de estudantes pela casa do maranhão que podíamos ver pela janela se virássemos de costa, dada a nossa posição.O vinho acabou-se e aí, Luca começou a tocar no violão, não demora muito até que 3(três indivíduos) se aproximassem da gente.Um começou a papear... até que:

-Vocês poderiam me emprestar o celular pra fazer uma ligação? (Disse o mais próximo à mim)

-Não tenho celular, brother(Disse).

-Mas eu vejo uma certa saliência ali no bolso da menina.Pode passar, pode passar.(Repetiu com certo tom de agressividade, referindo-se ao bolso da Tica).

Tica começa a tirar sorrateiramente o telefone celular do bolso e diz:
-Pode pegar, não vale 10 reais.
(Ela tinha sido roubada um mês antes)
O ladrão olha pra gente com cara de desânimo e desapontamento e simplesmente corre,ao invés de pegar o celular, e senta na garupa da bicicleta do seu comparsa e vai embora pela esquerda.



É, não se fazem mais ladrões como antigamente(Sorte nossa).

domingo, 5 de julho de 2009

Lacônica

A vida é curta e dura demais
Para ser vivida. A cada trago se vai
Tão curta como meu cigarro
É a vida que nos é narrada, que narro.
Seqüência finita de imagens
Que faz seu própio universo
Enche-se de planetários diversos
De virtudes, de encantos
Como faz-se do pranto, um verso.
Um verso voluptuoso é só o que canto.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Existência

Para se conhecer
Deve-se esquecer,
Preocupar somente em ser.

Cansaço de existir
É sonhar uma dor sem fim.
Que se exclua de mim!

Invulnerável que não sou
Só me resta o gozo, a dor.
-Não descobri a razão da gestação, nem quem sou.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sobre teu seio,
Sou saudoso eleito
Sem te decifrar.
Porque tenho apenas uma parte tua,
E nessa não há o que pensar.
-Deleito.

Sobre teu seio
Entendo as mais complexas e obscuras coisas, desmistificadas
Porque o amor não é maçada.
E nem só amar.
É uma tênue melodia, louca, desvairada.
Uma chama que engana, e por isso em teu seio, não vou te amar.